Crédito: reprodução

A história da Growth: como Eduardo e Fernando criaram a marca do zero

Last Updated: janeiro 27, 2026By

Eduardo e Fernando Rosa Dasi, fundadores da Growth Supplements, anunciaram recentemente que deixaram o comando operacional da empresa após 17 anos à frente do negócio. A decisão marcou o fim de um ciclo e reacendeu o interesse sobre a origem de uma das marcas mais influentes do mercado de suplementos no Brasil.

Em entrevista concedida a Renato Cariani e Júlio Balestrin, os irmãos detalharam, com riqueza de memória e franqueza, como a Growth nasceu de uma combinação improvável de frustração como consumidores, improviso logístico e obstinação.

Fernando relembra que tudo começou no fim da década de 2000, quando tinha 18 para 19 anos e ganhava cerca de R$ 400 trabalhando com a mãe. “Eu estava começando a treinar e fui comprar um suplemento numa farmácia. Era caro, mal explicado e ninguém sabia orientar direito”, contou.

Por que Renato Cariani recusou convite para a Growth em 2017, segundo o próprio

Na época, suplemento era quase um tabu. “Se tivesse um pote em casa, parecia coisa errada”, lembrou. Ao buscar informações, Fernando caiu nos fóruns de musculação, que concentravam praticamente todo o debate técnico do período. “Tinha muita gente boa, mas também muita confusão. Um dizia uma coisa, outro dizia o contrário.”

A falha no atendimento que virou modelo de negócio

Incomodado com as dúvidas, Fernando decidiu escrever diretamente para o fabricante do suplemento que havia comprado. A resposta veio uma semana depois: genérica, claramente copiada e colada. Ele tentou novamente, detalhando melhor as perguntas. A resposta foi exatamente a mesma.

“Ali eu pensei: tem alguma coisa errada. Não é possível um produto tão caro não ter atendimento nenhum”, disse. Segundo ele, foi nesse momento que surgiu o conceito central da Growth. “Eu pensei: se um dia eu tiver uma empresa, ela não vai tratar o cliente assim.”

Daí nasce uma das marcas registradas da Growth: atendimento técnico constante, com nutricionistas respondendo dúvidas — algo que, segundo Fernando, existe até hoje porque resolve exatamente a dor que ele sentiu lá atrás.

Enquanto Fernando programava sites e fazia trabalhos como desenvolvedor, Eduardo trabalhava como salva-vidas, chegando a fazer turnos integrais e comprar folgas de colegas para aumentar a renda. “Era de segunda a segunda. Se tivesse alguém para cobrir, eu cobria”, contou Eduardo.

Esse esforço permitiu que ambos juntassem algum capital inicial. Fernando pesquisava fornecedores nos intervalos do trabalho, até encontrar uma distribuidora de matéria-prima de suplementos. Quando comparou os preços e tabelas nutricionais, a ficha caiu.

“O whey que eu comprava tinha muito malto. Quando vi o preço do malto — coisa de R$ 3 o quilo — entendi a margem absurda”, relatou. A conta era simples: vender mais barato, com mais pureza, ainda assim com margem.

Fundo de quintal, fóruns e bicicleta

A operação começou literalmente na casa da mãe. “Era concha, balança e saquinho transparente”, contou Fernando. O primeiro produto foi um único whey protein WPC 80 sem sabor. Nada de sabores, nada de linha extensa. Um SKU apenas.

As vendas aconteciam pelos fóruns, onde Fernando já era conhecido pelo apelido “Fernando WS”, referência aos sites que desenvolvia. Não havia e-commerce estruturado. Os pedidos vinham por e-mail, os pagamentos por depósito em envelope bancário e o controle era feito em planilhas de Excel.

A logística também era artesanal. “Eu preparava o pedido e ia de bicicleta até o Correio. Voltava, aparecia outro pedido, ia de novo”, contou. Em dias de calor, Fernando chegou a fazer várias viagens, se machucar em quedas e ainda assim continuar entregando. “Era tudo reinvestido. Não tinha espaço para conforto.”

Com o crescimento da demanda, os irmãos compraram um terreno de cerca de 250 metros quadrados — pequeno, como o de uma casa. A mãe ajudou a financiar a primeira tonelada de matéria-prima para evitar que a empresa ficasse descapitalizada.

A partir dali, a Growth deixou de ser “fundo de quintal” e virou empresa formal. “A gente começou já atendendo todos os padrões possíveis”, disse Fernando. Mesmo assim, por um bom tempo, 100% dos clientes ainda vinham dos fóruns de musculação.

Assine nossa newsletter

As principais notícias do universo fitness diariamente no seu email