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Por que você sempre desiste das coisas no primeiro mês, segundo Paulo Muzy

Em vídeo recente publicado em seu canal no YouTube, Paulo Muzy fez um diagnóstico direto — e nada confortável — sobre um comportamento comum entre quem tenta emagrecer, ganhar massa muscular ou mudar hábitos: a desistência precoce. Para o médico e comunicador, o problema não está na dieta, no treino ou na falta de suplementos, mas em algo mais profundo. “Sejamos honestos: você é imediatista. Todo mundo é”, afirma logo no início da fala.

Segundo Muzy, a maior armadilha é esperar que poucos dias de esforço compensem anos de maus hábitos. “Você quer que o esforço de uma semana apague o estrago de dez anos. Mas deixa eu te falar uma verdade dura: o seu corpo não sabe ler o calendário”, diz. Na prática, isso significa que o organismo responde à biologia, não à ansiedade humana.

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Ao longo do vídeo, o médico explica que muitas pessoas abandonam o processo justamente quando ele começa a funcionar. “Sem motivação, você não começa nada. Sem compromisso, você nunca termina aquilo que começou”, reforça. Para ele, o erro está em olhar longe demais e criar metas grandes demais para um cérebro que busca alívio imediato.

Uma das metáforas centrais da fala é a do maratonista que não pensa nos 40 quilômetros da prova. “Eu nunca corri mais de 40 km. Eu só corro até o próximo poste”, relembra Muzy, citando o atleta. A lógica é simples: dividir o caminho em pequenos alvos torna o processo suportável. “Mais um dia, mais um poste”, resume.

Muzy também critica a ideia de “se permitir” como justificativa para abandonar a rotina. “Essa é a resposta clássica de todo perdedor: ‘ah, eu preciso me permitir’. Permitir o quê? Tem alguém com uma arma na sua cabeça mandando você comer besteira?”, questiona. Para ele, compromisso pessoal somado à motivação é o que entrega a possibilidade real de vitória, ao menos naquilo que depende do indivíduo.

Outro ponto forte do vídeo é o alerta contra buscar validação externa. “Quando você começa a achar que dar satisfação aos outros é mais importante do que dar satisfação a você mesmo, você entra num caminho sombrio”, diz. Na avaliação do médico, depender da aprovação alheia é instável e perigoso. “Vai ter gente que vai te elogiar e vai ter gente que vai te destruir. E se você estiver focado nisso, quanto tempo você aguenta?”

A chamada “força do ódio”, frequentemente exaltada nas redes sociais, também é alvo de crítica. “Ela não é boa. Ela é destrutiva. Ela te ensina a odiar quem você é, o que você tem e o que você consegue fazer”, afirma. Para Muzy, nenhuma mudança sustentável nasce do desprezo por si mesmo.

Na parte final do vídeo, o médico recorre a uma história do treinamento dos Navy SEALs, tropa de elite dos Estados Unidos, para ilustrar a importância da estratégia mental. Um dos recrutas, aparentemente frágil e sem histórico militar, superou todos os outros ao adotar uma abordagem simples. “Ele não pensava que precisava aguentar horas. Pensava que precisava ficar só mais um minuto. E contava: um, dois, três…”, relata Muzy.

A conclusão é direta: o corpo muda, mas no tempo da biologia, não da ansiedade. “Você não vai pensar ‘vou fazer dieta por dois meses’. Você vai pensar ‘agora eu não vou comer isso’. Cuida do agora. Se você cuidar de todos os agoras, o resultado vem. Não existe milagre. Existe biologia. E biologia exige paciência.”

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