O valioso conselho de Chris Bumstead para não travar com o perfeccionismo
Em entrevista concedida ao canal de Chris Williamson, um dos podcasts mais populares do mundo quando o assunto é performance, mente e comportamento humano, Chris “CBum” Bumstead revelou um lado pouco visto do maior nome da Classic Physique. Longe dos palcos e da estética impecável que o consagrou como múltiplo campeão do Mr. Olympia, o canadense falou abertamente sobre perfeccionismo, saúde mental, paternidade e relacionamentos — e deixou lições que vão muito além do fisiculturismo.
Logo no início da conversa, Bumstead reconhece uma contradição curiosa da própria personalidade. Embora seja conhecido por sua disciplina extrema no esporte, ele afirma que não é perfeccionista em tudo.
“Em vários aspectos da minha vida, eu sou o oposto de um perfeccionista. Sou do tipo ‘está bom o suficiente, manda assim mesmo’. Mas nas coisas que realmente importam para mim, como o fisiculturismo e os relacionamentos, aí sim eu posso ser muito duro comigo mesmo”, explicou.
Quando o perfeccionismo começa a atrapalhar
Ao falar especificamente do fisiculturismo, CBum faz uma reflexão rara sobre os limites do controle absoluto. Segundo ele, o esporte de alto rendimento — especialmente quando se trata de físico extremo — pode levar o atleta a um nível de obsessão que acaba sendo contraproducente. “É um esporte tão específico que qualquer detalhe muda tudo. Dormir 30 minutos a menos, ter um pico de estresse, alterar o cortisol… você acorda diferente no dia seguinte”, disse.
Ele relembra que já viu muitos atletas se perderem mentalmente tentando controlar cada grão de arroz, cada horário, cada variável possível. “O estresse de tentar ser perfeito acabava piorando o físico”, afirmou.
O maior sacrifício que CBum enfrentou para virar Mr. Olympia, segundo o próprio
Foi a partir dessa observação que Bumstead começou a mudar sua abordagem. Em vez de buscar a perfeição absoluta, passou a refletir sobre retornos decrescentes. “Onde está o ponto em que insistir mais só tira minha paz mental? Às vezes, comer um cookie para aliviar o estresse é mais benéfico do que seguir a dieta perfeita”, contou, arrancando risos — e identificação — do entrevistador.
Como lidar com o perfeccionismo, segundo CBum
Para CBum, aprender a lidar com o perfeccionismo não significa abandonar a disciplina, mas saber onde vale a pena ser exigente e onde não vale. “Nem tudo precisa ser perfeito. O vídeo vai sair, o negócio vai andar, tem gente boa cuidando disso. Eu escolho onde coloco minha energia”, explicou. Essa maturidade, segundo ele, só veio com o tempo. “Você testa, ajusta, erra, volta atrás. Com os anos, aprende a confiar mais na própria intuição”, disse.
Ao ser questionado sobre como essa mentalidade se aplica à vida pessoal, especialmente agora como pai, Bumstead foi honesto: “Como pai, minha intuição ainda não é tão forte quanto era como atleta. Estou reaprendendo tudo.” Nesse processo, ele destaca o papel fundamental da esposa, Courtney. “Ela é uma mãe incrível. Muitas vezes eu simplesmente pergunto: ‘O que eu faço agora?’”, contou, sem constrangimento.
A conversa também entrou no campo dos relacionamentos, e aqui surge um dos trechos mais fortes da entrevista. Para CBum, escolher um bom parceiro tem menos a ver com o que se procura e mais com quem você é de verdade. “Antes de pensar no que você quer em alguém, pense no que você está colocando para o mundo”, afirmou.
Ele relembrou que o início de seu relacionamento veio após publicar um vídeo extremamente vulnerável no YouTube, em que aparecia chorando e falando sobre um período difícil da vida. “Foi a primeira vez que me mostrei cru, sem personagem. E foi isso que nos conectou.”
Segundo Bumstead, tentar sustentar uma imagem falsa pode até atrair pessoas, mas nunca constrói relações sólidas. “Se você atrai alguém que ama uma versão que não é você, isso vira uma prisão.”
O direito de não ser perfeito
Um dos conceitos mais marcantes que CBum compartilhou foi o de se sentir seguro para ser um fardo às vezes. “Em alguns momentos, você não está bem. Você é um peso. E saber que pode colocar isso no outro e ainda assim ser amado cria uma segurança absurda”, explicou. Para ele, relacionamentos fortes não são sobre dividir tarefas, mas sobre enfrentar a vida juntos. “É você e a outra pessoa contra o mundo, não um contra o outro.”

