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A curiosa estratégia que Chris Bumstead adotou para lidar com o próprio medo

Last Updated: dezembro 5, 2025By Tags: ,

O hexacampeão do Mr. Olympia Classic Physique, Chris Bumstead (CBum), falou com o apresentador Chris Williamson sobre algo que pouca gente imagina quando pensa em um campeão mundial: o medo, a dúvida e a vulnerabilidade. Em uma conversa franca, ele revelou como aprendeu a lidar com essas emoções — e por que acredita que a “confiança inabalável” é um mito.

“Parece ótimo dizer que você tem confiança total. Mas a verdade é que eu ainda duvido de mim o tempo todo”, disse Bumstead. “Já tentei falar e agir como alguém sem dúvidas, mas elas sempre voltam. Sempre tem aquela voz: ‘E se você não conseguir?’. E mesmo assim, nos últimos cinco anos, com todas essas dúvidas, eu continuei evoluindo e fui o melhor do mundo. Então quem disse que um campeão não pode ter medo ou insegurança? Não existe regra para isso.”

Williamson concordou, citando uma metáfora do tênis para ilustrar o ponto: “Você vê Nadal cheio de energia, Djokovic todo metódico e Federer brincando e rindo — e todos são campeões. Se alguém dissesse que para vencer é preciso ser como um deles, estaria errado. Cada um encontrou a sua própria forma.”

Bumstead respondeu: “Exato. Não existe fórmula. Tentar copiar o método de outro é como calçar o sapato de alguém de outro tamanho. O segredo é construir o seu próprio caminho.”

O grande medo de CBum

Quando o assunto foi medo, CBum explicou como aprendeu a transformar essa sensação em algo útil: “Quando eu sinto medo hoje, transformo em empolgação. Porque, na maioria das vezes, o medo aparece quando algo grande — algo pelo qual trabalhei muito — está chegando. Então eu tento abraçar isso. Esse nervosismo é um sinal de que algo importante está prestes a acontecer.”

Ele contou também como aprendeu a lidar com preocupações reais, como as ligadas à saúde: “Quando é algo mais sério, eu tento aceitar, sentir e conversar sobre isso. Antes, eu guardava tudo para mim e tentava racionalizar: ‘você é saudável, não tem motivo pra se preocupar’. Mas isso só empurrava o medo pra baixo. Quando comecei a falar — especialmente com a minha esposa —, percebi que colocar pra fora e ser ouvido muda tudo. Às vezes, só ser escutado já traz alívio.”

O canadense também admitiu que costumava se culpar por sentir medo: “Antes, eu me chamava de idiota por sentir isso. Pensava: ‘você é campeão, devia ser mais forte’. Mas hoje tento apenas reconhecer o que vem. Estar consciente do que você sente é importante — perceber o que está dizendo pra si mesmo. Às vezes, eu penso: ‘cara, você acabou de se xingar por sentir medo’. Só de perceber isso, já começo a me tratar com mais humanidade.”

Na parte final, Bumstead e Williamson trocaram experiências sobre pensamentos intrusivos — aquelas ideias absurdas e repentinas que todos têm, mas poucos admitem. “Às vezes eu estou dirigindo e penso: ‘e se eu virasse o carro agora?’. Ou segurando minha filha e penso: ‘e se eu a deixasse cair?’. É horrível, mas é o cérebro exagerando, tentando evitar o medo. Quando falo isso para minha esposa, ela diz: ‘nossa, sonhei que jogava ela do telhado’. E eu respondo: ‘ok, isso é meio louco, mas também já pensei coisas assim’. A gente ri, porque é humano. Nosso cérebro cria esses pensamentos para nos proteger, para nos fazer evitar o perigo.”

Williamson encerrou dizendo que essa vulnerabilidade é justamente o que torna CBum tão próximo do público: “Acho que é por isso que tanta gente se identifica com você — por essa transparência quase desconcertante. Você mostra que até o maior do mundo sente medo.” Bumstead concluiu com simplicidade: “Ser campeão não é eliminar o medo. É continuar, mesmo com ele.”

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