Como manter a fertilidade durante o uso de hormônios, segundo Leandro Twin
O influenciador e preparador físico Leandro Twin, um dos nomes mais conhecidos no meio do fisiculturismo e da educação sobre hormônios no Brasil, abordou em entrevista ao Monster Cast uma dúvida comum entre praticantes de ciclos anabolizantes: é possível manter a fertilidade mesmo usando testosterona ou derivados hormonais?
A questão foi levantada por um seguidor que perguntou se o uso de HCG (gonadotrofina coriônica humana) deveria ser feito durante o ciclo ou apenas após o término, conhecido como pós-ciclo. O ciclo em questão duraria cerca de sete meses, com doses elevadas de testosterona. A resposta de Twin foi técnica, mas também prática — e pode servir de referência para quem busca entender a função do HCG e os riscos de infertilidade ligados ao uso de hormônios.
Testosterona e fertilidade
Segundo Leandro, a dose de testosterona usada (seja 100 mg por semana em TRT, seja 1 g em ciclo) não altera o fato de que o eixo hormonal será inibido. O chamado “eixo HPT” (Hipotálamo–Pituitária–Testicular) é o sistema responsável pela produção natural de testosterona. Quando se aplica testosterona de fora, o corpo entende que já há hormônio suficiente circulando e interrompe a produção interna, o que pode reduzir a fertilidade.
Nesse contexto, surge o HCG, que atua como uma espécie de “mimético” do hormônio LH (hormônio luteinizante). Enquanto o LH, produzido pela hipófise, envia um sinal para os testículos produzirem testosterona e espermatozoides, o HCG imita esse sinal, mantendo os testículos ativos mesmo durante o uso de hormônios externos. Por isso, ele pode ajudar a evitar a atrofia testicular e preservar a capacidade reprodutiva.
Leandro Twin explicou que existem duas escolas de pensamento entre os usuários de hormônios:
Twin afirmou que ambas as abordagens podem funcionar, mas tudo depende do objetivo e das prioridades do usuário. “Se a pessoa não está preocupada com fertilidade naquele período, não há necessidade de usar HCG. É mais uma droga para o corpo processar, mais custo e mais chance de colaterais”, explicou. “Agora, se o cara quer engravidar a esposa durante o uso, aí sim faz sentido usar HCG no meio do ciclo.”
Hormônios e infertilidade
O preparador reforçou sua filosofia pessoal de que “quanto menos droga, melhor”, e que o uso de HCG deve ser avaliado caso a caso. Ele destacou que o hormônio é eficaz, mas desnecessário se o foco é apenas o desempenho e não a fertilidade.
Na segunda parte do vídeo, Leandro discutiu se o risco de infertilidade provocado por ciclos hormonais é superestimado. “Eu nunca conheci alguém que usou hormônio e ficou estéril pra sempre”, declarou. Segundo ele, a grande maioria dos casos se resolve com tempo, paciência e acompanhamento médico, envolvendo o uso de HCG, clomifeno e controle de outros hormônios, como prolactina e estradiol.
O influenciador ressaltou que muitos atletas, inclusive de elite, conseguem engravidar suas parceiras mesmo durante o uso de anabolizantes. “O próprio Vitor Chaves, por exemplo, engravidou durante uma preparação pesada de competição. Isso mostra que o corpo humano é resiliente — e que o risco, embora real, é menor do que se imagina.”
No fim, Twin reforçou que cada caso é individual e deve ser conduzido com responsabilidade. “Existe sim uma queda na fertilidade durante o uso de hormônios, mas ela costuma ser temporária e reversível com tratamento adequado. O problema é quando o sujeito para tudo, se sente mal, desiste da recuperação e volta a ciclar sem orientação. Aí sim pode complicar.”

