Paulo Muzy em entrevista ao podcast Inteligencia LTDA.

Crédito: reprodução

A triste cena que Paulo Muzy viu no hospital que quase o fez desistir da carreira

Last Updated: dezembro 5, 2025By Tags: , , ,

Durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o médico e influenciador Paulo Muzy relembrou um dos momentos mais difíceis de sua trajetória na medicina — uma experiência que quase o fez desistir da profissão. Ao falar sobre morte, finitude e empatia, o médico revelou um episódio marcante de quando ainda era estudante de medicina.

“Na faculdade, a gente estuda tanatologia, que é o estudo da morte. E nos cuidados paliativos, acompanhamos pacientes em fase terminal. Mas uma coisa é estudar, outra é ver de perto”, explicou. “Um dos estágios mais marcantes da minha vida foi na ortopedia pediátrica, quando vi uma criança que sabia que ia morrer. Ela amadureceu em meses. Foi ali que percebi o que é perder a juventude. Quase desisti da faculdade.”

Paulo Muzy e a medicina

Muzy contou que o episódio decisivo aconteceu durante um estágio em nefrologia pediátrica, quando conheceu um menino de cerca de nove anos, debilitado por uma doença renal. “Ele parecia ter cinco ou seis, de tão frágil. Brinquei com ele, disse que parecia um bonequinho, e ele respondeu sorrindo. Pediu um boneco igual. Falei que traria na semana seguinte. Aí ele me disse: ‘Tio, acho que semana que vem eu já não vou estar vivo’.”

O médico relatou que saiu do hospital abalado. “Fui direto para loja de brinquedo mais próxima e comprei todos os bonecos daquela coleção. Fui para casa e chorei muito. Pensei: ‘Eu não quero mais isso pra minha vida’. Aquilo me desmontou.”

Refletindo sobre o tema, Muzy destacou que a convivência com a morte faz parte do cotidiano médico, mas nunca se torna fácil. “Você pode assistir a qualquer filme de terror, mas nada se compara. A morte tem estágios — negação, raiva, barganha e aceitação. Quando o paciente chega à aceitação, é como se entendesse o fim sem desespero. Só que pra quem acompanha, é devastador.”

Ele também comentou que, mesmo atuando hoje na medicina esportiva, ainda lida com diagnósticos graves. “Todo mês fazemos pelo menos dois diagnósticos de câncer. Às vezes, o paciente chega achando que está saudável, e a gente descobre algo grave num exame de rotina. Isso te lembra o quanto a vida é frágil. A medicina é sobre cuidar da saúde, mas também sobre lidar com o fim.”

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