Os erros de quem começa a usar esteroides cedo demais, segundo Chris Bumstead
O fisiculturismo sempre conviveu com o silêncio — e, muitas vezes, com a hipocrisia — quando o assunto são esteroides anabolizantes. Durante décadas, atletas de elite evitavam o tema, negavam evidências óbvias e tratavam o uso como um tabu. Esse cenário começou a mudar nos últimos anos, impulsionado pelas redes sociais e por uma geração mais transparente. Ainda assim, segundo Chris Bumstead, a abertura não eliminou o principal problema: jovens cada vez mais cedo flertando com decisões que podem comprometer a saúde para sempre.
Em entrevista ao canal Valuetainment, CBum foi direto ao ponto ao comentar o aumento de adolescentes interessados em “ciclos” antes mesmo de esgotarem o próprio potencial natural. “Se você precisa perguntar se deve usar esteroides, a resposta já é não”, afirmou. Para ele, esse é o primeiro sinal de que a pessoa ainda não tem maturidade — física nem emocional — para lidar com consequências irreversíveis.
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O impacto que não aparece no espelho
Um dos erros mais comuns, segundo o fisiculturista, é acreditar que os efeitos colaterais são previsíveis ou controláveis. Na prática, não são. CBum alerta que o mesmo protocolo pode gerar respostas completamente diferentes em pessoas distintas. “Você pode fazer um ciclo e nunca mais recuperar sua testosterona natural”, disse. Em muitos casos, isso significa dependência vitalícia de TRT, algo que jovens raramente consideram quando pensam apenas em estética.
Além da supressão hormonal, ele cita riscos que vão da infertilidade ao aumento da probabilidade de doenças cardiovasculares, passando por alterações severas no colesterol e sobrecarga hepática. O problema se agrava porque, como o próprio atleta destaca, “as pessoas quase sempre abusam”. A escalada de doses vira regra, não exceção.
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O vício não é químico, é psicológico
Outro ponto sensível levantado por CBum é o apego ao resultado. Embora não classifique os esteroides como uma droga viciante no sentido clássico, ele reconhece um padrão perigoso: o vício na imagem refletida no espelho. “Você pode se viciar em como se sente, em como parece”, explicou. Essa dependência emocional empurra muitos usuários a ciclos cada vez mais agressivos, mesmo diante de sinais claros de que o corpo está pagando a conta.
Para atletas jovens, o risco é ainda maior. Se o físico continua evoluindo naturalmente, o uso precoce não só é desnecessário como contraproducente. “Se você ainda está progredindo, nem pense nisso”, reforçou.
Quando competir vira arrependimento
CBum também critica a ideia romantizada de “testar um ciclo” apenas para competir uma vez. Segundo ele, muita gente entra no fisiculturismo sem entender o peso real do esporte em alto nível. Dietas extremas, pressão psicológica e rotina exaustiva fazem com que muitos abandonem a modalidade logo após a primeira preparação. O problema é que o dano potencial já foi feito. “Você não pode voltar atrás”, alertou. Para ele, não faz sentido arriscar a saúde por 12 semanas de palco quando o esporte sequer se tornará um projeto de vida.
Dose mínima efetiva e maturidade muscular
Mesmo falando a partir da experiência pessoal, CBum evita glamourizar protocolos. Ele defende o princípio da “dose mínima efetiva”, aprendido com mentores ao longo da carreira. Começar com o mínimo possível, ajustar lentamente e, antes de qualquer aumento, mexer em todas as outras variáveis: treino, sono, recuperação e nutrição.
Curiosamente, o atleta revela que não aumentou suas doses nos últimos anos — pelo contrário. “Maturidade muscular é real”, afirmou. Treinando há mais de uma década, ele explica que densidade e qualidade vêm com o tempo, não apenas com mais substâncias. O refinamento do trabalho, segundo ele, pesa mais do que “jogar a cozinha inteira” no organismo.
Suplementos: o básico que funciona
Ao falar de suplementos, CBum mantém a mesma linha pragmática. Creatina monohidratada, proteína em pó e uma dieta bem estruturada formam a base. Pré-treinos podem ajudar, mas não são essenciais. “Já fiz preparação para o Olympia usando só creatina e proteína”, contou, acrescentando com ironia que o resto foi comida — e, claro, esteroides. Mesmo como dono de marca, ele reforça: nenhum suplemento substitui alimentação e consistência.

