Jay Cutler e Hany Rambod

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Como começou a lendária parceria entre Jay Cutler e Hany Rambod, segundo os próprios

Durante anos, fãs e especialistas do fisiculturismo acompanharam as ascensões paralelas de Jay Cutler, futuro quatro vezes Mr. Olympia, e Hany Rambod, que mais tarde se tornaria o treinador mais influente da sua geração. Mas até recentemente, pouco se sabia sobre os bastidores do momento em que suas trajetórias começaram a se cruzar. Foi no The Truth Podcast, apresentado pelo próprio Rambod, que os dois revisitaram pela primeira vez — de forma franca e nostálgica — os primeiros capítulos de uma parceria que viria a mudar o esporte.

A conversa começa com Jay admitindo que ele e Hany tinham uma relação profissional que antecedia em muito a consagração de 2009, quando juntos reconquistariam o Mr. Olympia. “Nossa conexão começou muito antes de trabalharmos oficialmente juntos. A gente já se observava e se cruzava nos bastidores do esporte”, afirmou Cutler, lembrando de um período em que ainda não imaginava sequer vencer um Olympia, muito menos recuperar o título após perdê-lo. Enquanto Jay consolidava sua presença nos palcos, Hany construía silenciosamente sua reputação como treinador, lidando com atletas regionais e desenvolvendo o método que um dia seria conhecido como FST-7.

A relação entre Jay Cutler e Hany Rambod nos anos 1990

Foi no fim dos anos 1990 que eles se encontraram pela primeira vez, em uma antiga unidade da Gold’s Gym em San Jose, na Califórnia. Jay estava em plena expansão de carreira, recém-associado à ISS Research e à Weider, participando de sessões de autógrafos e aparições promocionais em academias — ainda comuns numa época em que as lojas dentro das próprias academias eram pontos fortes de venda. Hany, recém-chegado à Bay Area, tentava ganhar espaço atendendo atletas locais. O encontro foi cordial, mas não imaginavam que aquele contato seria o embrião de algo maior.

Uma figura importante dessa fase inicial foi Lonnie Teper, apresentador lendário e conhecido por fomentar rivalidades amistosas. Hany recorda que Lonnie dizia a Jay: “Você ainda vai treinar com o Hany.” Cutler, competitivo como sempre, respondia: “Eu não sou o Hany Rambod.” Para Hany, essa provocação virou combustível: “Algumas coisas te derrubam; outras te fazem querer mostrar quem você é. Aquilo me motivou.”

A rivalidade entre Jay Cutler e Hany Rambod

A relação ganhou profundidade em 2001, no USA Championships, em Las Vegas. Hany estava preparando Quincy Taylor; Jay acompanhava Abbas Khatami. No check-in, Jay pediu para ver o físico de Quincy. Hany levou o atleta até o banheiro do hotel — prática comum entre profissionais — e Jay observou em silêncio, com a expressão analítica que se tornaria sua marca registrada. Depois de pedir para ver glúteos e posteriores, sentenciou: “Ele vai ganhar.” Não apenas venceu sua categoria, como levou o overall. Ali, segundo os dois, nasceu o respeito técnico mútuo.

Esse episódio foi decisivo. Jay percebeu que Hany tinha um olhar minucioso raro. Hany, por sua vez, ganhou confiança para assumir atletas cada vez maiores. Em seguida, sua carreira deslanchou: 2001 com Quincy, 2002 com Derrick Wardell, 2003 com Mike Dragna e Chris Cook. Em paralelo, Jay vencia seu primeiro Arnold Classic em 2002 — ano em que chegaram até a passar a Páscoa juntos, estreitando ainda mais a relação fora dos palcos.

Na entrevista, ambos deixam claro que a parceria não começou formalmente naquele período, mas emocionalmente, sim. “A semente foi plantada ali,” diz Jay. Hany complementa: “Aquela época construiu nosso respeito e nossa confiança, mesmo sem percebemos.” Seriam necessários alguns anos até que se tornassem oficialmente treinador e atleta, mas o que viria depois — especialmente a retomada histórica de Jay em 2009 — só foi possível graças a esse longo pré-capítulo de convivência, observação e humildade compartilhada.

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