Strong man training in gym

Crédito: Freepik

Os curiosos 7 níveis de vício em academia, segundo Laércio Refundini

A transformação física, para muitos, começa com um incômodo: falta de disposição, autoestima baixa, dores que se acumulam. Mas, segundo o treinador e criador de conteúdo Laércio Refundini, existe uma verdadeira escala de evolução — e obsessão — dentro do universo fitness. No vídeo em que descreve “Os sete níveis do vício em academia”, ele propõe uma espécie de mapa da jornada de quem pisa numa academia, desde o sedentarismo até o patamar dos mutantes do fisiculturismo profissional.

Refundini parte do nível mais básico, o da pessoa que não treina e praticamente só “sobrevive”, como ele próprio define. É o indivíduo cansado, sem energia e com hábitos que sabotam a saúde diariamente. Mas, a partir do momento em que essa pessoa inicia sua jornada nos treinos, uma engrenagem psicológica começa a girar. O exercício vira estímulo, a melhora física vira combustível e o vício — positivo ou não — começa a aparecer. Segundo Laércio, a maioria nunca passa dos níveis intermediários, mas compreender a lógica por trás desses sete estágios ajuda a identificar comportamentos, metas e até frustrações. Ao apresentar seus níveis, ele deixa claro que a musculação é menos um esforço físico e mais um espelho da mentalidade.

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O começo do vício em academia

Os três primeiros níveis representam, segundo Laércio, a fase em que o “vício” ainda não existe — ou existe apenas em sua forma ilusória. O nível 1, o sedentarismo, é marcado pela completa falta de estímulo: dores, cansaço, falta de autocuidado e, muitas vezes, o uso do fim de semana como fuga emocional. No nível 2, o iniciante, surgem comportamentos típicos de quem acha que ama a academia… mas só quando tudo está favorável. “Se cair uma garoa, ele já não vai”, brinca Refundini. É o vício pela motivação, e não pelo hábito.

O nível 3 é onde a maioria estaciona: a pessoa treina, entende o básico de alimentação, vê resultados, mas ainda vive conflitos constantes entre disciplina e prazer imediato. Sexta à noite, a pizza pisca no aplicativo; no sábado, a balada seduz mais que o treino. Aqui surge um vício curioso: a sensação de que treinar “compensa” as escapadas — e o ciclo se repete. Refundini descreve esse nível como o limbo do progresso: a pessoa até evolui, mas nunca o bastante para mudar de patamar.

A evolução do vício em academia

No nível 4, o treino deixa de ser obrigação e passa a ser parte da identidade da pessoa. Ela se torna “o amigo fitness”, o exemplo de disciplina entre os conhecidos. A musculação entra no sangue, como ele diz: treinar cinco ou seis vezes por semana não dói — faz falta. O corpo começa a responder de forma visível, e a autoestima dispara junto.

Aqui surge o primeiro tipo de vício realmente positivo: o vício pela consistência. Refundini explica que, mesmo quando a pessoa escapa da dieta ou perde uma noite de sono, a consciência pesa: “Depois ela fica: ‘Pô, não devia ter ido… isso zoa meu físico’.” A mente, antes permissiva, agora cobra resultados. O shape se torna recompensa e responsabilidade.

A partir do nível 5, Refundini descreve o que chama de “o sagaz”. É o praticante que começa a estudar biomecânica, execução, volume de treino e alimentação mais a fundo. Nada é feito por acaso. Ele enxerga macronutrientes no prato, identifica erros no próprio treino e busca refinamento.

O vício aqui muda de forma: não é só sobre treinar, mas sobre treinar certo. A pessoa passa a rejeitar alimentos muito calóricos, perde interesse por bebidas alcoólicas e sente prazer genuíno em aprimorar técnica, postura e recuperação. É um vício inteligente — e altamente eficaz.

O vício pela longevidade e o domínio total do corpo

No nível 6, Laércio descreve um “mestre do corpo”. O treino é cirúrgico, intencional, altamente estratégico. É o praticante que busca não apenas estética, mas saúde, performance e longevidade. Ele não corre mais atrás de resultados, porque ele é o resultado.

O vício que surge aqui é o mais equilibrado possível: o da autossustentação. A pessoa treina porque quer viver mais, melhor e mais forte. Não há compulsão, mas há precisão — como um sniper, nas palavras do autor.

O nível S é o atleta — ou alguém que vive como um. Agora o vício se transforma em estilo de vida compulsório. Cada refeição importa, cada hora de sono importa, cada treino é uma batalha contra a versão anterior de si mesmo. É o shape acima de qualquer coisa, inclusive da vida social.

Refundini admite já ter vivido esse nível: “Eu pagava o preço e ia buscar o meu troféu”. O vício é total, rígido, incansável. E, embora gere físicos extraordinários, cobra caro emocional e socialmente.

No topo da pirâmide, Refundini coloca os “mutantes”, atletas Open do fisiculturismo profissional. Gente que pesa 150 kg, treina como um monstro por 10 a 15 anos e possui genética fora da curva para suportar cargas elevadíssimas, treinos violentos e doses cavalares de recursos ergogênicos.

Aqui, o vício ultrapassa o corpo e se torna destino. São atletas que vivem para isso — e que, como o próprio Refundini alerta, muitas vezes pagam o preço máximo: “O preço da morte.” Mesmo assim, ele reforça o respeito que sente: “Pra chegar nesse nível, trabalhou muito duro.”

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