Renato Cariani e Mounjaro

Crédito: reprodução / ChatGPT

A opinião de Renato Cariani sobre o Mounjaro: “Vai aposentar as cirurgias bariátricas”

Há uma frase que resume a empolgação — e a polêmica — em torno dos novos remédios para obesidade: “em poucos anos vai extinguir a cirurgia bariátrica”. Quem disse foi Renato Cariani, ao comentar o avanço do Mounjaro (tirzepatida) em um bate-papo publicado no canal CarianiTV, defendendo que a nova geração de drogas antiobesidade mudou o jogo de quem luta há anos contra a balança. Na conversa, ele foi ainda mais enfático: “quem fala mal do Mounjaro não entende a força que ele tem de mudar quadros clínicos de obesidade”.

Cariani sustenta que a medicina entrou numa fase em que a caneta virou protagonista, e não coadjuvante. Para ele, o impacto já seria visível fora do consultório: “pela primeira vez… houve uma redução de obesidade nos Estados Unidos”, atribuindo o movimento ao avanço de fármacos como Ozempic e Mounjaro. Essa percepção conversa com a transformação do mercado global de antiobesidade, impulsionada por GLP-1 e, mais recentemente, pela tirzepatida, que passou a ocupar espaço central em debates de saúde pública e na indústria farmacêutica.

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O que a ciência diz sobre tirzepatida e perda de peso

Embora Cariani fale com a linguagem de internet — direta e sem meias palavras —, o tema está longe de ser “achismo”. Ensaios clínicos publicados em periódicos de referência mostram reduções expressivas de peso com tirzepatida em pessoas com obesidade, consolidando o remédio como uma das terapias mais efetivas do momento. A própria Eli Lilly, fabricante do Zepbound (tirzepatida para obesidade), divulgou resultados comparativos em que a perda média foi superior à da semaglutida em 72 semanas, em um estudo patrocinado.

O ponto mais interessante é que Cariani não vende milagre. Ele chama o Mounjaro de “muleta” e diz que a frase “vai ter que tomar a vida inteira” costuma significar outra coisa: a pessoa não mudou o ambiente. “Se você entrar no Mounjaro e não mudar alimentação, amizades, atividade física… quando sair, volta tudo”, afirma. Na mesma linha, ele critica a escalada de dose por comparação social e defende ajuste por sintoma, reforçando que aumentar sem necessidade só eleva colaterais e encurta a janela de uso.

Mounjaro vai mesmo substituir a cirurgia bariátrica?

Aqui é onde a provocação encontra o freio da realidade. Entidades médicas e cirúrgicas têm defendido que medicamentos e cirurgia não são rivais obrigatórios, mas ferramentas que podem se complementar, a depender do perfil do paciente e do risco metabólico. Além disso, há estudos apresentados em congressos sugerindo que a cirurgia bariátrica ainda entrega perdas de peso maiores no longo prazo, mesmo com a popularização dos GLP-1 — o que ajuda a explicar por que o debate segue aberto.

No fim, a fala de Cariani funciona como retrato de um momento: a obesidade deixou de ser tratada apenas com “força de vontade” e entrou de vez na agenda de tecnologia médica. Se isso vai “aposentar” a bariátrica, ninguém crava com segurança hoje. Mas que a caneta mudou a conversa — e a indústria — mudou.

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