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Por que icônica academia do Ronnie Coleman segue “lógica diferente”, segundo Leo Stronda

A visita de Leo Stronda à academia do Ronnie Coleman, no Texas, começa com uma constatação pouco glamourosa — e, justamente por isso, reveladora. Em vez de luzes, fachada moderna e equipamentos impecáveis, ele descreve um cenário que parece mais próximo de um galpão do que de uma “meca” do fisiculturismo. “A entrada já parece que você tá entrando numa garagem abandonada, um galpão abandonado. Não tem portas, as portas da garagem ficam abertas”, afirma, enquanto mostra o ambiente. O espanto não é só estético: é cultural. Para Stronda, o lugar opera por códigos próprios, onde a experiência pesa tanto quanto a estrutura.

Esse estranhamento inicial vira argumento. Ele insiste que, para quem assiste de longe, é difícil captar o principal: o clima. “Às vezes você não tá sentindo a aura do ambiente, mas aqui tem uma aura, uma energia diferente”, diz. Não é apenas uma academia “velha”; é uma academia com história exposta, sem maquiagem. E isso, na leitura dele, muda a forma como as pessoas treinam, se comportam e até se reconhecem dentro do espaço.

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A ideia de “lógica diferente” aparece também na maneira como a academia do Ronnie Coleman se apresenta como um ponto de encontro. Stronda relata que o atendimento é informal e direto, sem liturgia de recepção. “O cara da recepção, tipo assim, atendeu a gente, tomou um pré-treino e veio treinar. A recepção fica vazia”, comenta, como quem observa uma regra silenciosa: ali, treinar é o centro de tudo. A academia não organiza o treino ao redor de conveniências; organiza a vida ao redor do treino.

A “aura” e o peso simbólico da academia do Ronnie Coleman

A experiência ganha outra camada quando a visita deixa de ser apenas um treino e vira uma espécie de ritual de pertencimento. Stronda conta que recebeu uma camiseta da Metroflex para treinar — e faz questão de usar ali, como gesto de respeito ao lugar. “Já vou meter a camisetinha braba… Metroflex”, diz, reforçando que, naquele ambiente, símbolos importam.

O momento mais significativo, porém, vem quando ele é convidado a assinar a parede da academia. Ele narra a cena com surpresa genuína: “Ele me pediu pra gente assinar a parede da Metroflex… eu mostrei pra ele o Instagram e tal. Ele falou: ‘Caraca, que maneiro, movimentam bastante o mundo fit lá no Brasil… assina na academia a parede pra gente, vai ser uma honra’”. A reação vem na sequência, sem filtro: “Caraca, outro nível… Que honra, né?”. A assinatura vira metáfora perfeita do que ele tenta explicar: a academia do Ronnie Coleman não é só um espaço físico, é um lugar onde a história continua sendo escrita — mesmo nos detalhes.

Esse peso simbólico também aparece quando Stronda reconhece elementos que fazem parte do imaginário de quem acompanha o esporte. “Sabe aqueles vídeos do Ronnie Coleman que aparece fazendo peso pra caramba? É aqui. Aqui é aqui”, diz, como se confirmar a origem do cenário consolidasse o impacto. O encanto, para ele, não está em “melhorar” o lugar, mas em preservar o que ele representa.

Academia de Ronnie Coleman: o “charme” da rusticidade

A sobriedade do relato não elimina um ponto central: Stronda associa o encanto da academia do Ronnie Coleman àquilo que muitos veriam como defeito. Ele descreve teto sujo, teias de aranha, máquinas antigas, barulho metálico e ausência evidente de manutenção. E arremata com a frase que resume sua leitura: “Mas é esse o grande lance. É esse o charme da academia”.

Ele vai além ao explicar por que isso importa. Para Stronda, aquele ambiente impõe uma espécie de mentalidade: nada está “arrumadinho”, nada está “facilitado”, e isso se conecta à imagem do bodybuilding clássico. “Não dá pra ver, tá tudo cacarecado. Só tenta achar outro igual pra não errar o lado”, comenta, ao falar das anilhas, transformando a desorganização em retrato de uma cultura onde o treino vem antes da estética do espaço.

Mesmo quando a fala escorrega para o humor, o sentido permanece: ali, o conforto não é prioridade, e a academia não tenta agradar. Stronda descreve que “a mão já fica toda suja” ao mexer nos pesos e que parece haver equipamentos “que não usam faz anos”, empoeirados, marcados pelo tempo. A conclusão implícita é simples: naquele lugar, o treino não é um serviço premium; é um compromisso.

A diferença da academia de Ronnie Coleman

A “lógica diferente” fica mais clara quando Stronda explica a etiqueta informal da casa. Na Metroflex, segundo ele, não existe a cultura rígida de reorganizar tudo após o treino. “Aqui não tem essa de ‘treinou, tem que guardar o peso’ não, nego. Deixa o peso aqui… o mínimo é 40”, relata, descrevendo uma espécie de regra não escrita: quem entra precisa, no mínimo, estar pronto para lidar com o ferro — e com o caos.

O mesmo vale para os aparelhos. Ele comenta que tudo faz barulho, que parece não haver lubrificação nas máquinas e que algumas exigem correção constante de movimento. “A máquina é muito pesada e é toda torta… tem que ir consertando o movimento o tempo inteiro”, diz, apontando um tipo de dificuldade que não aparece na ficha de treino, mas pesa na sessão. É, na visão dele, um ambiente que exige atenção, adaptação e, sobretudo, respeito.

No fim, o que Stronda parece defender é que a academia do Ronnie Coleman virou lenda porque não se comporta como academia comum. Ela não vende conforto; vende atmosfera. Ela não promete organização; promete verdade. “Vem gente do mundo todo pra treinar aqui, pra ver como é, pra poder ter esse astral”, afirma. A opinião dele é menos sobre equipamentos e mais sobre cultura: ali, o cenário molda o comportamento, e o treino vira parte de uma tradição que se mantém justamente por não tentar ser outra coisa.

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